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Casa Verde preserva casas e comércio local enquanto mercado imobiliário começa a mirar a região

Sem lançamentos de imóveis em 2025, a Casa Verde mantém sobrados, pequenos comércios e uma identidade ligada ao carnaval. Incorporadoras, porém, já observam o potencial do bairro.

Redação SPNoRadar

Imagem ilustrativa: Casa Verde Praça Centenario.jpg
Imagem ilustrativa: Casa Verde Praça Centenario.jpg
Créditos: Leonardo Ré-Jorge

A Casa Verde segue entre as áreas de São Paulo que menos foram transformadas pelo avanço dos grandes empreendimentos imobiliários. Mesmo em uma via importante como a Avenida Casa Verde, ainda predominam sobrados, casas, pequenos comércios e construções que compõem a paisagem tradicional do bairro.

O cenário contrasta com o de Santana, região vizinha que passou por um processo mais intenso de verticalização e valorização imobiliária, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

Casa Verde não teve lançamentos em 2025

Dados do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), citados pela publicação, indicam que a Casa Verde não registrou lançamentos imobiliários durante 2025.

Em 2024, novos projetos chegaram ao bairro, principalmente voltados ao público de renda média. As unidades lançadas naquele período tinham preços entre aproximadamente R$ 350 mil e R$ 700 mil.

O mercado de imóveis usados também desacelerou. Entre janeiro e março de 2026, as vendas na Casa Verde ficaram abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, de acordo com levantamento da plataforma Loft citado pela Folha. O valor médio das negociações foi de cerca de R$ 547 mil, uma redução de 3,5% em relação a 2025.

Incorporadoras já observam oportunidades

Apesar do ritmo ainda limitado, algumas empresas começaram a identificar potencial na região. Um dos projetos em andamento é o Le Villáge Casa Verde, com apartamentos de até 59 metros quadrados, vaga de garagem e áreas de lazer.

O empreendimento foi assumido pela Vertka Enplan depois que a empresa responsável originalmente pelo lançamento enfrentou dificuldades para continuar as obras. A nova incorporadora manteve parte dos compradores e ampliou a estrutura de lazer prevista para o condomínio.

A proximidade com Santana, a Marginal Tietê e outras áreas valorizadas da Zona Norte pode aumentar o interesse de construtoras nos próximos anos. Caso isso ocorra, a região poderá receber novos prédios e passar por mudanças no perfil urbano.

Identidade cultural permanece

A Casa Verde também mantém uma forte ligação com a cultura e o carnaval paulistano. O bairro abriga escolas de samba tradicionais, como Império da Casa Verde, Unidos do Peruche e Mocidade Alegre, além de ficar próximo ao Sambódromo do Anhembi.

Outra mudança recente foi a inauguração do Sesc Casa Verde, em 2023. Ainda assim, grande parte da região continua formada por ruas residenciais, casas, sobrados e estabelecimentos comerciais de menor porte.

Desafio é conciliar novos projetos e preservação

A manutenção desse perfil é valorizada por moradores que temem impactos da verticalização no trânsito, nos preços dos imóveis e na rotina do bairro. Ao mesmo tempo, novos empreendimentos podem ampliar a oferta de moradias, serviços e espaços de lazer.

O avanço do mercado imobiliário na Casa Verde, portanto, coloca em discussão como receber investimentos sem descaracterizar a identidade histórica e cultural que marca um dos bairros tradicionais da Zona Norte de São Paulo.

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