Cia Triptal estreia peça gratuita sobre narrativas da formação do Brasil em Santana
“Quase uma Estória – Água Parada que Sumiu no Buraco” estreia em 8 de outubro no Teatro Alfredo Mesquita e fica em cartaz até 1º de novembro, com entrada gratuita.
Redação SPNoRadar

Créditos: Dornicke
A Cia Triptal estreia em 8 de outubro, no Teatro Alfredo Mesquita, em Santana, na Zona Norte de São Paulo, o espetáculo “Quase uma Estória – Água Parada que Sumiu no Buraco”. A temporada segue até 1º de novembro, com ingressos gratuitos.
A montagem inédita marca os 35 anos de atuação contínua do grupo e investiga as narrativas sobre o Brasil Colonial que chegaram ao presente por meio de vozes historicamente autorizadas a contá-las.
Peça questiona a chamada história oficial
Protagonizado por Fabrício Pietro, Maiara Astarte e Victor Barros, o espetáculo parte de um diálogo com “O Sumidouro”, de Jorge Andrade, mas inverte a lógica histórica e documental da obra para abrir espaço a saberes e memórias ancestrais preservados pela oralidade.
A dramaturgia acompanha três personagens envolvidos em diferentes relações com a História. Vicente, interpretado por Fabrício Pietro, é um dramaturgo que pretende revisitar a trajetória dos bandeirantes e revelar contradições de Fernão Dias. Ao questionar a narrativa oficial, ele percebe gradualmente que também está inserido na estrutura de poder que tenta denunciar.
José Dias, vivido por Victor Barros, enfrenta conflitos ligados à origem indígena, ao pertencimento, à identidade e à violência colonial. Já Martha, interpretada por Maiara Astarte, começa como funcionária da casa de Vicente e leitora silenciosa de seu manuscrito. Ao longo da trama, ela se torna uma interlocutora crítica e reivindica o direito de narrar a própria experiência.
Vozes indígenas e femininas ganham espaço
Segundo o material de divulgação, a montagem propõe uma perspectiva contemporânea sobre a história oficial, especialmente a partir de vozes indígenas e femininas. O confronto entre os personagens também aborda representação, experiência, corpos, afetos e desejos.
Enquanto Vicente perde o controle sobre a história que pretendia contar, José Dias e Martha deslocam o centro da narrativa e apresentam outras formas de olhar, lembrar e produzir conhecimento. A peça questiona quem tem o direito de falar sobre a formação da identidade brasileira e quais memórias ocupam o espaço da cena.
Diálogo com Jorge Andrade
A relação com “O Sumidouro” é um dos eixos do espetáculo. Para André Garolli, a obra de Jorge Andrade permanece atual por permitir que o passado volte a questionar o presente.
A discussão sobre os bandeirantes e a construção de heróis nacionais é usada para observar como determinadas versões da História se tornam oficiais. A presença de José Dias amplia o debate sobre mestiçagem, conflitos culturais e raciais e a formação da identidade brasileira.
Serviço
Espetáculo: “Quase uma Estória – Água Parada que Sumiu no Buraco”
Temporada: de 8 de outubro a 1º de novembro
Horários: de quinta a sábado, às 20h; aos domingos, às 19h
Sessões extras: 22 de outubro, às 14h30; 28 de outubro, às 20h; e 29 de outubro, às 14h30
Ingressos: gratuitos, com retirada uma hora antes do espetáculo
Local: Teatro Alfredo Mesquita
Endereço: Avenida Santos Dumont, 1770, Santana, São Paulo