Como funciona o atendimento a uma parada cardíaca no metrô de São Paulo
Protocolo chamado Código R mobiliza funcionários treinados para iniciar o socorro antes da chegada de uma equipe médica; sistema registra taxa de sobrevida de aproximadamente 40%.
Redação SPNoRadar

Uma parada cardíaca exige atendimento imediato. No metrô de São Paulo, um protocolo específico chamado Código R mobiliza funcionários treinados para iniciar os procedimentos de socorro antes da chegada de uma equipe médica.
O funcionamento do sistema foi explicado pelos especialistas Sérgio Timerman, cardiologista e diretor do Centro de Parada Cardíaca, do Time de Resposta Rápida e de Ciência da Ressuscitação do InCor do HC-FMUSP, e Camila Lunardi, médica emergencista e presidente da ABRAMEDE.
O que é o Código R
Ao identificar uma pessoa em parada cardíaca em uma estação, os seguranças acionam imediatamente o Código R. Depois do chamado, um funcionário capacitado se dirige ao local para iniciar o atendimento.
Segundo Timerman, os profissionais são preparados para atuar em qualquer estação do metrô. O atendimento segue a chamada corrente da sobrevivência, formada por seis elos.
Primeiros passos do atendimento
Três etapas da corrente da sobrevivência ocorrem antes da chegada de um serviço médico: reconhecer a parada cardíaca, chamar por socorro e iniciar compressões cardíacas eficazes até a chegada do desfibrilador.
De acordo com o especialista, muitas paradas cardíacas estão relacionadas a um ritmo caótico do coração. Por isso, o desfibrilador é considerado fundamental nas etapas seguintes do atendimento.
Relação entre desidratação e parada cardíaca
Camila Lunardi explicou que a desidratação grave pode contribuir para uma parada cardíaca, especialmente em pessoas idosas. A redução do volume de sangue que circula pelo organismo, chamada hipovolemia, pode prejudicar a perfusão do coração.
O risco é maior quando a pessoa já tem um coração comprometido. Nesse caso, a parada pode ocorrer de forma mais lenta e insidiosa, diferente de uma ocorrência súbita em alguém que estava estável e sofre um infarto.
Taxa de sobrevida
O metrô de São Paulo mantém esse sistema de atendimento há 20 anos, segundo Sérgio Timerman. Na primeira pesquisa realizada, a taxa de sobrevida era de 34%. Atualmente, chega a aproximadamente 40%.
Para o especialista, os resultados mostram a importância de reconhecer rapidamente a parada cardíaca, acionar o socorro e iniciar as compressões antes da chegada da equipe médica.