Empresas investigadas por suspeita de ligação com o PCC descumprem viagens previstas em São Paulo
Dados da SPTrans mostram que apenas 24% das linhas operadas por empresas investigadas cumpriram o mínimo de viagens previsto em contrato com a Prefeitura de São Paulo.
Redação SPNoRadar

Empresas de ônibus investigadas pela Polícia Civil por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) também são alvo de reclamações de passageiros por falhas na operação. Segundo dados da SPTrans, apenas 24% das 524 linhas sob responsabilidade dessas companhias cumpriram o número mínimo de viagens previsto em contrato com a Prefeitura de São Paulo.
Na prática, passageiros relatam longas esperas nos pontos e ônibus que não passam nos horários programados. O contrato estabelece que as empresas devem realizar pelo menos 97% das viagens previstas.
Linhas com viagens canceladas
Entre as empresas investigadas está a A2 Transportes, responsável pelas dez linhas que menos cumpriram viagens na capital, segundo o levantamento citado pela Prefeitura. A linha 5018-10, que liga o Shopping Interlagos ao Jabaquara, deixou de realizar quase metade das viagens neste ano até o levantamento de maio.
Em um dos horários observados, três partidas previstas entre 17h e 17h30 tiveram apenas uma viagem realizada. Passageiros também relataram atrasos, quebras de ônibus e intervalos de até 40 minutos.
A Polícia Civil suspeita que a A2 Transportes seja utilizada pelo PCC para lavagem de dinheiro. O presidente da empresa, Paulo Sirqueira, conhecido como Paulo Camarão, e Júlio Salvador Filho, apontado como um dos diretores, foram presos temporariamente na semana anterior à publicação da reportagem.
Outras empresas investigadas
Além da A2 Transportes, outras dez empresas que operam na capital são investigadas pela polícia. De acordo com os dados da SPTrans, 24% das linhas dessas companhias cumpriram o mínimo de viagens exigido, enquanto o índice entre empresas não investigadas foi de 36%.
Na Zona Leste, a TransUnião opera 52 linhas, das quais 51 não atingiram a meta contratual. A linha 2704-10, que liga o Jardim Robru ao Metrô Itaquera, aparece como a pior da empresa no levantamento.
Já a Transwolff, que também era investigada por suspeita de envolvimento com o PCC, passou a ter a gestão assumida pela Prefeitura em 2024. Ainda assim, em média, apenas três em cada dez linhas da empresa atenderam aos parâmetros previstos no contrato neste ano.
Resposta da A2 Transportes
Procurada, a A2 Transportes respondeu com uma lista de melhorias que pretende implantar. Entre as medidas citadas estão a troca do comando da empresa e o aumento de mil viagens por dia para reforçar o atendimento aos passageiros.