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Gisele Abrahão defende turismo como estratégia de desenvolvimento econômico em evento na Avenida Paulista

CEO da GVA e da Plataforma Impactos Positivos afirma que o turismo movimenta uma ampla cadeia produtiva e pode ampliar a geração de renda nos territórios. Tema será discutido em evento na Avenida Paulista.

Redação SPNoRadar

Gisele Abrahão defende turismo como estratégia econômica em evento na Avenida Paulista
Gisele Abrahão defende turismo como estratégia econômica em evento na Avenida Paulista
Créditos: Foto: Boaventuravinicius / Wikimedia Commons – CC BY 4.0

O turismo deve ser compreendido como uma atividade econômica capaz de movimentar diferentes setores e gerar desenvolvimento nos territórios, na avaliação de Gisele Abrahão, CEO e fundadora da GVA — Global Vision Access e da Plataforma Impactos Positivos.

Dados do Economic Impact Research 2026, produzido pelo World Travel & Tourism Council (WTTC) em colaboração com a Oxford Economics, mostram que viagens e turismo contribuíram com US$ 11,6 trilhões para o Produto Interno Bruto mundial em 2025. O valor correspondeu a 9,8% da economia global. No mesmo ano, o setor sustentou 366 milhões de empregos no mundo.

“Quando pensamos no turismo como um ecossistema, percebemos que praticamente tudo está conectado”, afirma Abrahão.

Uma cadeia que vai além da viagem

O impacto econômico do turismo começa antes do deslocamento e continua depois da chegada ao destino. O visitante utiliza transportes, restaurantes e meios de hospedagem, compra produtos, contrata serviços, participa de atividades culturais e consome experiências.

Essa dinâmica alcança motoristas, guias, agricultores familiares, artesãos, artistas, produtores de eventos, operadores turísticos e pequenos empreendedores. Segundo o WTTC, visitantes internacionais gastaram US$ 2,02 trilhões no mundo em 2025, enquanto as viagens domésticas movimentaram US$ 5,63 trilhões.

No Brasil, viagens e turismo contribuíram com quase US$ 167 bilhões para o PIB em 2024, de acordo com estudo do WTTC elaborado em parceria com a Oxford Economics. A atividade esteve relacionada a 8,1 milhões de empregos naquele ano.

Para 2026, o WTTC projeta crescimento de 2,1% do PIB brasileiro ligado a viagens e turismo e aumento de 3% nos gastos de visitantes internacionais.

Renda e preservação nos destinos

Na visão de Abrahão, o desafio não é apenas ampliar o número de viajantes, mas fazer com que cada viagem produza mais desenvolvimento econômico para a região visitada.

Quando fornecedores locais participam da cadeia, uma parcela maior da riqueza pode permanecer no território. Hotéis e restaurantes podem comprar de agricultores, artesãos podem alcançar novos consumidores e iniciativas culturais podem ampliar seu mercado.

“Um negócio de impacto consegue olhar para tudo isso e transformar ativos culturais, sociais e ambientais em desenvolvimento econômico sem necessariamente descaracterizá-los”, diz a empresária.

A proposta ganha relevância diante de ativos como biodiversidade, gastronomia, manifestações culturais, comunidades e conhecimentos tradicionais. Para Abrahão, modelos de negócios podem aproximar preservação ambiental e atividade econômica, em vez de tratá-las como objetivos opostos.

Encontro debate inovação e impacto positivo

A Plataforma Impactos Positivos conecta empresas, organizações e lideranças que desenvolvem soluções com efeitos econômicos, sociais e ambientais. Entre os temas relacionados à iniciativa estão tecnologia, acessibilidade, mobilidade, economia circular, energia e bioeconomia.

A sexta edição do Encontro Impactos Positivos terá como tema “Inteligência Artificial para Acelerar o Impacto Positivo”. De acordo com a organização, mais de 150 empresas se inscreveram para a premiação vinculada ao evento, que combina votação popular, avaliação técnica e análise de júri.

O encontro está marcado para 24 de setembro de 2026, das 13h às 18h, no Auditório FIAP, na Avenida Paulista, em São Paulo. A programação inclui painéis, palestras, mentorias, conexões e networking, além do Prêmio Impactos Positivos.

Ambiente de negócios também entra na agenda

A discussão sobre o potencial econômico do turismo ocorre em um momento em que entidades de setores regulados defendem regras mais previsíveis para ampliar investimentos, empregos e desenvolvimento no país.

Em carta aberta aos candidatos à Presidência da República, representantes de aviação, rodovias, saneamento, saúde e telecomunicações pediram melhoria da qualidade regulatória e fortalecimento da segurança jurídica. Entre as propostas estão o reforço da autonomia das agências reguladoras, a recomposição de quadros técnicos e o uso de avaliações de impacto e de resultados das normas.

Embora a carta reúna setores distintos, a agenda apresentada pelas entidades aponta para uma questão comum às atividades econômicas: a necessidade de um ambiente mais seguro e previsível para estimular investimentos privados, inovação e geração de empregos.

Para Gisele Abrahão, enxergar o turismo como indústria permite ir além da ideia de férias e lazer. A atividade passa a ser associada à entrada de recursos, à criação de postos de trabalho, ao fortalecimento de pequenos negócios e à valorização de ativos culturais, sociais e ambientais.

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