Motiva investe R$ 5 milhões em recarga de ônibus elétricos em São Paulo
Companhia instalou 12 carregadores no Pátio Guido Caloi, na Linha 5-Lilás, em parceria com a Viação Campo Belo. Estrutura poderá atender 24 ônibus simultaneamente e deve receber 40 veículos por dia nesta primeira etapa.
Redação SPNoRadar

Créditos: Foto: MacGyver Santista / Wikimedia Commons – CC0
A Motiva entrou no mercado de eletromobilidade e firmou seu primeiro contrato para recarga de ônibus elétricos em São Paulo. A operação foi fechada em parceria com a Viação Campo Belo e envolve um investimento de R$ 5 milhões em infraestrutura no Pátio Guido Caloi, da Linha 5-Lilás.
Foram instalados 12 carregadores, cada um com potência de 180 kVA. De acordo com a empresa, a estrutura pode atender 24 ônibus elétricos ao mesmo tempo e recarregar as baterias em até três horas. Nesta fase inicial, a expectativa é receber 40 ônibus da Viação Campo Belo por dia.
Como funcionará o serviço
Pelo modelo adotado, a Motiva ficará responsável pelo investimento, pela compra e instalação dos equipamentos, pela adaptação da rede elétrica, pela gestão da energia e pela manutenção do sistema. As empresas de ônibus operarão os veículos no local e pagarão pelo uso dos eletropostos.
A energia consumida na operação será proveniente do Complexo Eólico Oitis, empreendimento do qual a Motiva é sócia no Piauí e na Bahia. O fornecimento conta com Certificado Internacional de Energia Renovável, conhecido pela sigla I-REC.
Segundo João Pita, diretor Comercial da Motiva, a empresa pretende reunir infraestrutura elétrica, carregadores, energia e manutenção em uma única solução para reduzir a complexidade da transição das frotas.
Localização estratégica
O Pátio Guido Caloi foi escolhido por atender operadoras que atuam na região sul da capital. A empresa também considera estratégica a capacidade disponível da subestação que abastece o local e afirma que a instalação não interfere na operação nem na manutenção do sistema metroviário.
O espaço possui ainda portaria dedicada e uma área de apoio aos motoristas, com banheiro e copa.
Planos de expansão
A Motiva avalia que a demanda por infraestrutura de recarga deve crescer no longo prazo. Ao final de junho, a frota de veículos movidos a bateria em circulação na capital paulista era de 1,570 mil unidades, com perspectiva de alcançar cerca de 13 mil ônibus elétricos ao longo da próxima década, segundo a empresa.
A companhia afirma que a eletrificação depende da implantação de pontos de recarga, da superação de gargalos na rede elétrica e da disponibilidade de terrenos. Por isso, pretende aproveitar áreas no entorno de estações e terminais de ônibus para instalar novas estruturas.
No curto e médio prazo, os planos incluem atender empresas de comércio eletrônico, operações logísticas e plataformas de transporte por aplicativo. A Motiva também estuda novos pontos de recarga na Região Metropolitana de São Paulo e em Salvador, utilizando áreas remanescentes de concessões sob sua gestão.
Para o longo prazo, a empresa prevê projetos voltados a viagens de longa distância em rodovias, com recarga para veículos leves e caminhões. A estratégia considera ativos como os sistemas Anhanguera-Bandeirantes, Presidente Dutra e Fernão Dias.
Transição energética
A entrada na eletromobilidade também está associada à agenda de sustentabilidade da Motiva e à Coalizão para Descarbonização dos Transportes, da qual a companhia é cofundadora. A iniciativa considera a eletrificação uma das principais alternativas para reduzir as emissões do setor até 2050.
A Motiva atua nas plataformas de Rodovias e Trilhos, com 18 ativos em oito estados brasileiros e cerca de 15 mil colaboradores. A empresa informa ser responsável pela gestão e manutenção de 5.044 quilômetros de rodovias e pelo transporte anual de 750 milhões de passageiros em metrôs, trens e VLTs.