Sete alvos da Operação Frankmobile viram réus por esquema de celulares roubados em SP
A Justiça de São Paulo aceitou denúncia contra sete investigados na Operação Frankmobile, que apura uma estrutura organizada de roubo, furto, desbloqueio, revenda e desmontagem de celulares. O Ministério Público também pediu indenização de aproximadamente R$ 90 milhões por danos morais coletivos.
Redação SPNoRadar

Créditos: Foto: John Salatas. Wikimedia Commons: CC BY-SA 4.0
A Justiça de São Paulo tornou réus, nesta quarta-feira (23), sete alvos da Operação Frankmobile. A investigação apura um esquema de roubo, furto, receptação e revenda ilegal de celulares e peças de aparelhos.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O órgão também pediu que os investigados paguem uma indenização de aproximadamente R$ 90 milhões por danos morais coletivos.
Segundo o MPSP, o grupo mantinha uma cadeia econômica organizada e hierarquizada. Além de comercializar aparelhos e componentes, os integrantes acessavam contas bancárias de vítimas e transferiam valores para pessoas ligadas ao esquema.
Os sete alvos tiveram as prisões preventivas decretadas. Dois deles também respondem por falsidade ideológica e outros dois por receptação.
Operação apreendeu cerca de 10 mil celulares
A Operação Frankmobile foi deflagrada em 10 de setembro, após dois anos de investigações. Cerca de 10 mil aparelhos foram apreendidos em São Paulo e em Goiás. Ao todo, 18 empresas foram alvo da operação e 15 pessoas foram presas.
Como funcionava o esquema
De acordo com o MPSP, a organização criminosa era dividida em quatro núcleos:
Furtos e roubos: os criminosos usavam principalmente a quebra de vidros de veículos para levar os celulares.
Desbloqueio e fraudes: os aparelhos eram encaminhados a receptadores e aos chamados “Icloudeiros” entre 20 e 25 minutos depois dos crimes. Essa frente também acessava contas bancárias, transferia dinheiro e obtinha dados pessoais das vítimas.
Alteração e revenda: os integrantes modificavam o IMEI, número de identificação do aparelho, removiam bloqueios técnicos e trocavam componentes para dificultar a identificação da origem dos celulares.
Desmontagem: os aparelhos eram desmembrados para que as peças fossem comercializadas separadamente.
Conforme a investigação, o dinheiro desviado das contas era dividido em três partes: 30% para o titular da conta usada como “laranja”, 35% para o responsável pelo furto ou roubo e 35% para o desbloqueador.
As ruas Guaianases, Aurora e Timbiras, no centro de São Paulo, eram apontadas como os principais endereços de receptação e de depósitos temporários nessa etapa. Segundo os autos, mais de 500 boletins de ocorrência foram registrados nesses locais em pouco mais de dois anos.
O Ministério Público afirma ainda que operadores contábeis produziam notas fiscais ideologicamente falsas para simular compras em grandes varejistas ou alterar datas de documentos.